Alguma de vocês vai comprar a ideia de que é possível substituir amor por trabalho, que está tudo em ordem se não se preocupar com quem se relacionar, vai beber como se a saúde não dependesse dos seus atos e vai repetir carpe diem, como se fosse um mantra. Literalmente, vai acreditar na falácia de que é possível fazer o que quiser sem custo.
Você vai achar que poder viajar e ter independência financeira vai te trazer a tão sonhada felicidade.
Não vai, não. Mas você vai acreditar — ou fingir que acredita — e se dizer resolvida. E vai se sentir tentada a aceitar qualquer um. Depois, vai compreender o custo de acreditar que isso é liberdade. É a revolução sexual.
Depois de sentir o custo na pele, você vai dizer que não precisa de ninguém. Graças aos céus, para o seu analista você vai falar a verdade e verbalizar que gostaria de encontrar alguém para se relacionar. Para sua sorte, os anjos, Deus, o universo — ou quem mais você queira chamar — estarão presentes no divã.
Em algum momento, você vai perceber a mentalidade shopping dessa revolução de relacionamentos e se dar conta da propaganda enganosa contida ali, onde a química e o mistério foram substituídos pela quantidade.
Para a mulher, sexo casual é uma expressão contraditória, porque sexo não tem nada de casual para a mulher, a não ser que ela queira se enganar. Eu nunca conheci mulheres que tivessem sexo casual e saúde mental ao mesmo tempo.
Mais tarde — mas não tão tarde — você vai descobrir que “fazer o que quiser” está mais próximo de “fazer qualquer coisa” do que de realmente fazer o que se tem que fazer. E fazer o que se pensa que se quer é submissão ao princípio do prazer (ligado ao instinto). Você vai aprender que, se o prazer for seu dono, a chance de usar o prazer para compensar o que realmente se quer é monumental.
"Eu mereço essa torta, eu mereço essa viagem, eu mereço ter prazer. Enquanto não surge o certo, eu me divirto com os errados." O prazer se torna a compensação da alegria almejada, porém não conquistada.
A sua sorte é que os anjos protegem os inocentes, os ignorantes e até os criminosos, porque, acredite você ou não, Deus, o universo — ou como queira chamar — dá sempre uma segunda chance.
Nessas segundas chances, você encontrará pessoas que vão te ensinar que focar em ser feliz significa também focar em ter medo de sofrer, medo de entrar em conflito, medo de tirar o esqueleto do armário. A partir daí, você vai trabalhar o ressentimento acumulado por vestir um modelo que não lhe cabia. Você vai começar a aprender como pensar, e não mais o que pensar. Todas as ideologias que desunem os homens das mulheres, as crianças dos pais e os jovens do mundo adulto serão finalmente compreendidas e desbancadas.
E, por Deus gostar muito de você, você acordará dessa propaganda e ouvirá o tic-tac.
