quarta-feira, 29 de junho de 2011

Esclarecimentos e dicas pra quem chutou o balde

“Cansou de imaginar como seria?”

“Isso! Enfim tomei coragem e chutei. E agora?”

Se você conseguir encontrar o seu baldinho, mudando de emprego ou de parceiro(a), você é uma(um) sortuda(o) por ter resolvido a questão de forma tão rápida. Pode seguir, nem precisa continuar lendo. Mande notícias quando puder.

Para aqueles que não pretendem ver aquele baldinho tão cedo, seguem alguns esclarecimentos e dicas.

Promessas e planos:

Você achou que não fazia inúmeras atividades por falta de tempo e agora você tem tempo de sobra. No entanto, nem aquela corrida, que você se comprometeu a fazer todos os dias, tem acontecido.

O tempo dorme e não há nada demais; já passou o efeito da sensação de alívio. Você cortou todos os custos, vendeu o carro e doou as roupas que não usa, ainda assim aquela conta não está fechando, como você gostaria. E pior: os seus planos não passam de uma apresentação de powerpoint cuja execução depende de inúmeras variáveis com as quais você não contava.

Faz parte.

Acabado o efeito da sensação de alívio, vem o limbo. Uma fase que te deixa com a sensação de que você não sabe liderar o próprio dia-a-dia.

Provavelmente, o rumo que a vida vai tomar é completamente diferente do que você imaginou.

Se as “coisas” demorarem a acontecer, tenha paciência (dica n.01). As “coisas” não compreendem o nosso regime (inventado) de urgência.

É possível que você tenha uma recaída e se venda novamente ao sistema. Não há problema, junta um pouco mais, se isso vai te deixar tranquila/o.

(Não vai não).

Essa recaída pode durar de 6 meses a um ano; depois o balde volta ao alvo de chute, e você poderá chutá-lo com mais precisão (se quiser).

Chutou de novo?

Volte ao seu plano (dica 2) em powerpoint e avalie:

O que está faltando para executá-lo?

Se você se der a desculpa de tempo e dinheiro, é melhor que você volte ao sistema, pois ainda não está pronto.

Em geral, para executar um plano, são necessários: disciplina (dica 3), dedicação (4) e esforço pessoal (5).

Se você unir esses três itens, os fatores como sorte e oportunidade vão chegar até você; não se sabe se por conta da corrente divina dos amigos e parentes (que ficam rezando desesperadamente para que tomemos um rumo), ou se é porque tinha que ser.

Quando você estiver se dedicando, sem medir esforços, você vai encontrar mais oportunidades e uma legião de pessoas, que vivem viajando, escrevendo, dançando, cuidando de cavalos, estudando, enfim, fazendo o que gostam, sem ter que matar nenhum animal por dia, ao contrário, criando seres animados e inanimados.

Nessa fase, você já não liga para o tempo, e o dinheiro que ganhar vai ser suficiente (ainda que pouco como nunca foi).

Você estará em sintonia (sei lá com o que) e não vai parar pra pensar em coisa alguma. E quando alguém perguntar, você não vai saber narrar em detalhes como tudo ocorreu; você vai se lembrar do personagem do Ariano Suassuna e responder:

“Só sei que foi assim.”



Outros posts sobre o tema:

terça-feira, 28 de junho de 2011

Os plutonianos

- Trouxeram uma nova iguaria do planeta Terra. Todos só falam no banquete que haverá semana que vem. A iguaria é estranha, mas é comestível.

- E desde quando podemos comer seres do planeta Terra?

- Podemos comer quaisquer seres que não sejam considerados semelhantes.

- Mas a Terra é planeta!

- De acordo com os cientistas terráqueos, Plutão foi desqualificado. Não somos mais semelhantes. Portanto, poderemos comê-los!

- Mas não podemos matar seres vivos!

- Não precisamos matá-los; os terráqueos matam-se a si próprios, a comissão plutoniana só teve que carregar os corpos.

- Matam-se uns aos outros? Não podemos comer seres irracionais!

- Os terráqueos consideram-se os únicos animais racionais.

- Então, vamos ao banquete.

domingo, 26 de junho de 2011

6 Dicas para blogueiros iniciantes (que estão começando do zero)

Algumas pessoas quando começam a “blogar” não compreendem por que o respectivo blog não consta na pesquisa google, ou por que poucas pessoas acessam aquele blog. Seguem algumas iniciativas que podem aumentar as chances do seu blog aparecer nas pesquisas virtuais:

1) Links
Ao escrever um post, insira links em palavras-chaves. Por exemplo: se você estiver falando sobre ecologia, você pode inserir um link dentro da palavra ecologia, para que aumente a possibilidade de seu post ser lido quando alguém pesquisar o assunto.

2) SEO friendly
As siglas SEO significam search engine optimization que, em termos bem resumidos, é uma ferramenta utilizada pelos sites de busca para “puxar” os sites no momento da pesquisa. Usar uma palavra SEO friendly pode ajudar o seu blog a ser exibido na frente de outros que não contenham palavras afins.

Por exemplo: nos sites de língua inglesa, nos artigos de dicas, usa-se bastante o termo “how to”, pois é uma expressão com apelo de pesquisa. Em português, as palavras como fazer, dicas, motivos, razões, dentre outras, têm o mesmo fim.

Essa ferramenta pode ser utilizada para selecionar os sites/blogs que você quer acompanhar. As atualizações dos sites/blogs ficam armazendas até que você leia.

4) Estatística
Caso você não tenha um “medidor de estatísticas” no seu blog, você pode usar o google analytics para medir a estatística de acesso e avaliar que posts fazem mais sucesso com os seus leitores.

5) Mídia Social
O uso das mídias social como facebook e twitter, dentre outros, têm o poder de aumentar sensivelmente a divulgação do seu blog. Divulgue os seus posts na sua rede social.

6) Links desnecessários, palavras SEO, que não têm a ver com o seu post, e quaisquer outros excessos prejudicam a espontaneidade do blog, fazendo com que as pessoas não retornem. É bom evitar.

Observação importante: NÃO clique em links desconhecidos, quando o seu blog começar a ser acessado, pois tratam-se, em geral, de vírus, ou sites que querem atrair tráfego de internet. Se tiver curiosidade busque o link que acessou o seu blog no google e leia o que dizem sobre tal site/link. 

Existem outras formas, sem dúvidas. Por isso, se quiser compartilhar alguma, pode comentar, ou enviar um e-mail para sertaolivre73@gmail.com .


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Viagens de bondinho

O bondinho de Melbourne é capaz de transportar o passageiro a vários lugares do mundo. Eu mesma já fui parar em Paris e Viena.  

Tudo acontece de repente. Não há escolha do local; o passageiro só escolhe se quer ir ou não.

Estou sempre disposta, porque tenho a desculpa de “ter” que escrever.

Há três semanas, eu estava no bondinho de Melbourne quando duas francesas, sentadas a dez centímetros de mim, tagarelavam sobre uma tarde no Musée Rodin, em Paris; resolvi acompanhá-las.

Em poucos minutos, estávamos diante da “porta do inferno”, esculpida pelo artista. E como ela é grandiosa, também no sentido literal, com seis metros de altura, quatro de largura, e um metro de profundidade; as cento e oitenta figuras cravadas na porta exibem beleza e desastre.

Ao observarmos cuidadosamente aquela escultura, concluímos que todo conceito traz o seu oposto: amor e ódio, prazer e dor, alegria e tristeza, levando-nos a crer que os opostos têm o mesmo peso emocional, e que desfrutamos de todos aqueles lados angustiantes, como se, em alguns momentos da vida, escolhêssemos sofrer.

Nós três suspiramos, sem saber se de desespero, ou de encantamento. Éramos as nossas contradições ali, sem carne e sem osso. Afinal, tecnicamente, não poderíamos estar naquele local, mas estávamos, convictas.

“Temos que descer agora.” Uma delas anunciou, interrompendo a possibilidade de apreciarmos as outras obras do Rodin.

“Meninas, e as outras esculturas: O Pensador, O beijo...?” Insisti, perguntando alto com o pensamento; elas não me deram atenção, mas me olharam com cumplicidade, acho.

À Viena, cheguei atrasada; os passageiros já haviam passado pelo centro histórico, onde comeram uma sache torte, e haviam também margeado o rio Danúbio. Logo que me juntei ao grupo, tive a oportunidade de conhecer a Galerie Belvedere, onde nos concentramos nas obras do Gustav Klimt e dos outros artistas que também participaram do Vienna Secession movement, ocorrido no início do século XX, modificando todas as regras artísticas seguidas até então, e criando um cenário provocativo; muitas mulheres nas telas; mulheres de negócios e mulheres em pleno prazer. Klimt inspirava-se nelas, e ao que nos pareceu, em especial em Emilie Flöge, fashionista e bem sucedida mulher de negócios.  

Entre conversas, tomamos conhecimento de que Gustav Klimt tinha uma relação aberta com Emilie Flöge, que foi sua “companheira”, até a morte, apesar de o artista ter tido filhos com outras mulheres.  

Quando voltei dessas viagens, verifiquei o tempo do relógio lógico: vinte minutes; e em seguida, tentei me localizar:

“Aonde vou mesmo?” Perguntei, olhando pela janela e buscando familiaridade nas redondezas.

"If you don't know where you are going, any road will get you there. Lewis Carroll". Respondeu um outro passageiro, que devia ter a capacidade de ler pensamentos.

Então, desci; era hora.

Pretendo ir a outros lugares tão logo surja a oportunidade e antes que os business men descubram que o teletransporte já é possível na Terra, a preço AU$3,80. Temo que fique mais caro, ou seja proibido por questões de soberania nacional até que se regulamente o assunto e se estabeleça quem deve explorar, a empresa privada ou o estado com a ajuda de um novo imposto.

Por isso, para confundir eventuais delatores, informo que tudo é ficção, qualquer semelhança só pode ser fruto de mera coincidência, ou de insanidade ingênua. Não te parece?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

13 Dicas para refinar a pesquisa virtual

Se você quiser sair do lugar-comum, ou até mesmo impressionar com a sua pesquisa virtual, por favor, leia as seguintes dicas:

1) Melhorar a pesquisa google:

a) entre no site do google,
b) clique em configurações de pesquisa, no topo do canto direito,
c) vá para número de resultados e mude de 10 para 100,
d) clique em salvar referências.

Com isso, você incluirá um número maior de links pesquisados, evitando só receber aqueles que pagam, ou que têm o maior número de acessos, ou o maior número de links conectados.

2) Enxugando a busca para um assunto específico (+, -, “”,~):
Se você estiver pesquisando um assunto específico, para apurar a pesquisa atraindo os links que têm mais relação com o tema, você deve adicionar o símbolo + antes da palavra-chave. Por exemplo: história +arte (sem espaço entre o símbolo e a palavra-chave).

3) Se você quiser restringir a palavra-chave, por exemplo, se você quiser saber só sobre história e nada de arte, você adiciona o símbolo -, por exemplo: história –arte.

4) Para especificar a palavra a ser pesquisada, você deve adicionar “”. Por exemplo, se deseja pesquisar um nome específico como Dannielly, ao invés de Daniele. Nesse caso, busque por “Dannielly”.

5) Se você não estiver localizando websites suficientes para o seu assunto, você incluie o ~ (til) antes da palavra-chave sem espaço, por exemplo: ~arte, para atrair outros sites que tenham relação com o assunto.

6) Se você estiver buscando uma música, poesia ou citação específica, ou o autor, e só lembra um trechinho, você deve por o trechinho entre aspas “”, para evitar atrair quaisquer sites que tenham, por ventura, escrito as palavras comuns ao texto procurado.

Com as dicas 2, 3, 4, 5 e 6 você evita atrair inúmeros links que nada têm a ver com a pesquisa.

7) Sites de governo:
Se você quiser restringir a pesquisa só pra sites governamentais, você deve escrever a palavra-chave mais a seguinte espressão site:.gov.br . Por exemplo: ao invés de buscar meio ambiente no Brasil (que é o que a maioria faz), você busca por meio ambiente site:.gov.br , lembrando também que é válida para todos os países. Por exemplo: para Reino Unido, a pesquisa deve conter a palavra-chave site:.gov.uk ; no caso dos EUA, deve ser posto apenas a palavra-chave site:.gov .

8) Se você quiser por estado, você insere a sigla do estado ante da palavra gov. Por exemplo, para o RJ, você busca por meio ambiente site:.rj.gov.br .

9) Outros além do google:
Se você quiser sair do google, há outros sites de buscas listados no http://en.wikipedia.org/wiki/list_of_search_engines , tais como: http://www.bing.com , http://br.yahoo.com , http://br.ask.com , ou http://www.ask.com (para perguntas em português, ou em inglês, respectivamente).

Alguns sites de buscas mostram resultados de outros sites de buscas, tais como: http://zuula.com , http://www.dogpile.com .

10) Personalizar a sua busca:
www.google.com/cse

Ou www.google.com/reader para acessar as atualizações dos sites e blogs que acompanha, ou costuma ler.

11) Notícias e jornais antigos (do mundo):

Biblioteca virtual mundial:

12) Para sites britânicos ligados à educação e pesquisa:


13) Para buscar sites já retirados da web (the wayback machine):


Há inúmeras outras, certamente. Se você souber e quiser compartilhar, por favor, faça um comentário, ou envie um e-mail para sertaolivre73@gmail.com .




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05 Motivos para ter um blog
06 Dicas para blogueiros iniciantes
06 Dicas para quem quer começar alguma coisa

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Mini-guide to visit Melbourne/Australia for free

Melbourne is known as an expensive city, and it may be if you don’t know the tips below:


1) Take the free city circle tram:
To go around the city, you can take a free city circle tram, and visit Federation Square, Carlton (Italian neighborhood), Harbour Esplanade, State Library of Victoria, Melbourne Aquarium, Old Melbourne Gaol (for crime and justice experience), Parliament House, the Immigration Museum, Etihad Statium, among others. You can take this tram as much as you want; stop by any sightseeing and then take it to the next one. Free city circle trams run every 12 minutes from 9am to 6pm (except Good Friday and Christmas) and it stops at Flinders Street, Harbour Esplanade, Docklands Drive, La Trobe Street, Victoria St, Nicholson St, and Spring Street.

2) Take the city tourist shuttle:
To reach other sightseeing such as Queen Victoria Market, Art Centre, Lygon St (where you will find lots of Italian restaurants and cafes), Fitzroy Gardens, China Town, Royal Botanic Gardens, among others, you can take the city tourist shuttle, which stops at Flinders St on the corner of Swanston St. And it is also free of charge.

3) Free events and information booth at Federation Square:
Before taking the city tourist shuttle you may visit a free exhibition at ACMI (Australian Centre for Moving Image) or get more tourist information at Federation Square where there is an information booth waiting for you.

4) Stop at Victorian Market:
After hanging around you may get hungry, so if you haven’t stopped at Victorian Market, it will be time, get some fruits and go back to your own tour.

5) Hungry and broke?
Stop at Swanston St. and La Trobe, go to an Asian restaurant, at Swanston Street, and have a big meal for less than AU$10, or find a vegetarian food for AU$7.50 (all you can eat) at 123 Swanston St, from Mon-Sat, 11:30 am to 3.30pm.

6) Go to State Library of Victoria to check emails:
After your lunch you may want to relax or check your emails. Then go to the State Library of Victoria, at the corner of Swanston St and La Trobe St, and find out a great location for those who need a place and internet for free. If you bring your computer, you can access internet as much as you want; if you don’t, you can get a computer for 15 minutes (and you can repeat it as long as none is waiting on the line). Printing is also possible, but you have to pay AU$0.15 per page. The Library also provides movies sessions and courses for free, check it out.

7) Garden State:
Victoria is known as a garden state. So, Melbourne is a town surrounded by parks. If you feel like losing yourself in a fabulous green area, go to Royal Botanic Gardens at Domain Road. Of course, it is free entry.

8) Bike & helmet:
If you want to spend some money, rent a city bicycle for AU$2.5 per day. But, please, don’t forget your helmet (or you will pay an expensive fine). You can get a cheap helmet at Seven Eleven for AU$5 and get AU$3 refund if you give it back.

9) Coffee, newspaper and festivals:
Go for a coffee at Degraves St near Flinders Station and check at the newspaper what are the free exhibitions, festivals, or shows on the week. For coffee lovers, Market Lane offers a range of grains and a coffee tasting (AU$12), at Parhran Market, at Commercial Road (tram n.72 will take you there) . For those who would like to see more of Melbourne underground, go to Brunswick Street, there are heaps of cafés and pubs. 

10) Souvenirs:
If you feel like buying souvenirs, you can go to traditional shops, at Swanston St, or to "op shop" (opportunity shop); there are some of them at Chapel St, where you will find all sorts of things for a little price.

11) Airport & Skybus:
And If you haven’t got at the Melbourne airport while reading this, please, save some money and take an A$15 bus (called Skybus) to reach downtown from the airport.

Enjoy your stay and g'day!
ps: attention! In Australia a hotel can be a bar and motel can be a hotel.

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Farewell letter

terça-feira, 14 de junho de 2011

9 Dicas pra quem pretende chutar o balde

Está sentindo que não se adapta ao sistema? Fique tranquila(o) que você não está sozinha(o). Já pensou em alguma alternativa? Ou já definiu que a alternativa é chutar o balde? 

A alternativa serve de arreio para motivar o chute, mas não há garantia de que será seguida; a qualquer momento, você pode mudar; tudo parece volátil. Não é fácil, mas é melhor do que ficar imaginando como seria.

1) Visualizar uma alternativa, seja sonho, projeto, ou ideia louca colabora com a vontade. Se não tiver alternativa, ter coragem ajuda bastante.

2) Se você não tem alternativa, não se preocupe, o mundo tem uma infinidade delas, feche os olhos e escolha uma; depois você pode mudar.

3) Ter alguma economia proporciona um efeito psicológico favorável; se não tiver, faz uma só pra servir de apoio moral.

4) A sua família ou amigos a(o) influenciam? Se a resposta for sim, prepara o terreno e segure o cabo do medo, porque eles vão chacoalhar. Se a resposta for não, solte o freio do medo e segue, afastando qualquer pensamento de derrota, porque é possível que eles insistam em aparecer. Se a dor paralisa o corpo, o medo paralisa a alma. Por isso, haja o que houver, continue caminhando como se nada tivesse acontecido.

5) Quando falarem mal, ou bem, de você, escute; e costure a boca pra não retrucar nada, porque você pode aproveitar alguma informação; e as pessoas, que estão ao seu redor, querem o seu bem.

6) É possível que você tenha recaídas logo depois do chute. Se tiver, não há problemas; os outros vão falar e vai doer. Não se preocupe, respire, levante; em seguida, você sacode a poeira e segue; evite ficar pensando aonde o balde vai cair, pois é imprevisível.

7) Sentir paixões (por viagens, escrever, música, escalar, mergulhar, dentro outras) e exercê-las facilitam a vida do participante.


8) Se você estiver buscando sucesso, avalie o chute. Provavelmente essas dicas não são saudáveis para o seu caso.

9) Chute de balde não é aconselhável para menores de 29 anos.

Não há manual nem regras fixas. Quaisquer das dicas acima podem ser ignoradas se a sua vida indicar outro caminho. Segue (e depois faz um blog).



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segunda-feira, 13 de junho de 2011

A charlatã

Dona Rodriga vivia no Cafundó, onde Judas perdeu um pé das botas. Ela era conhecida como vidente filantrópica; e o povo de Cafundó todo se consultava com ela, inclusive a classe A das redondezas.


A senhora Rodriga vivia das doações dos seus clientes e era conceituadíssima. Esse cenário amistoso começou a sofrer mudanças no final da década de noventa. A partir desse período, segundo o jornal da província de Cafundó, os desentendimentos entre dona Rodriga e seus clientes tornaram-se ações judiciais, por conta do abuso que a senhora tomou de toda a clientela, que só lhe demandava:


“Se eu mudar de profissão, vou ganhar dinheiro, como ganho hoje?” Essa era uma das perguntas corriqueiras dos clientes.


“Se você quer dinheiro e já tem, vai mudar de profissão para que? Se quer dinheiro fique com ele!” Respondia D. Rodriga, com ar de irritação; e não queria mais aceitar doação de gente insatisfeita com os seus dizeres.


“Se me separar encontrarei outra pessoa?” Essa pergunta não soava bem aos ouvidos da D. Rodriga.


“Se você quer ter alguém, fique com quem você está! Agora se quiser se arriscar, vai ter chance de ficar só, ou quem sabe se acompanhar de novo.” Respondia a vidente, sem jogo de cintura.


“Meu filho quer ser artista, ele vai ter sucesso? Ele vai ser famoso?” Essa pergunta amargurava de vez a dona Rodriga. “Como se não bastasse a pessoa querer sucesso pra si, quer empurrar mais gente nessa ribanceira. Era o que me faltava.” Pensava a vidente.


Para finalizar as consultas, que eram coletivas, pois as dúvidas coincidiam em grandes numerais, ela se acalmava, via o que via e respondia:


“Quem se separar vai viver a solidão em carne viva; e pode ser que se recupere, se tiver coragem. Se não tiver, vai contabilizar o passado e fazer uma lista para o futuro; o que vem daí não se pode ver.”


“Quem quiser ser artista que desista do dinheiro, porque o artista, que recebe o convite da deusa da criatividade, vai ter que abrir mão dos compromissos supérfluos.”


“E quem quiser viver bem, vai ter que passar do passado.”


A gente toda se irritou com os dizeres da dona Rodriga; e o grupo resolveu chamar a polícia.


Quando o policial chegou, deu baixa na situação, levando dona Rodriga para o xilindró.


Diante de gente importante na lista de delatores, o delegado teve que acelerar o caso; e o juiz também não pode se fazer de rogado, apesar da simpatia que reservava àquela senhora.


Na audiência, o juiz tentou aliviar a pena da dona Rodriga, dizendo que ela não respondia por si, que já tinha mais anos de idade do que aparentava, mas dona Rodriga não tinha qualidade de bem mentir.


Antes que o juiz proferisse qualquer sentença, o advogado de acusação propôs um acordo: se dona Rodriga desvendasse os números da loteria e os fornecesse aos clientes lastimados, o juiz poderia arquivar o caso.


Dona Rodriga pediu um copo com água, bebeu e disse os números que lhe vieram a cabeça; complementou, informando que aqueles números sairiam dali a seis meses. A proposta foi aceita, porém, nesse período, a acusada continuaria presa, até que o resultado final saísse.


A cidade ficou em polvorosa; houve reportagem até no exterior; era a gente toda gastando por conta.


Chegado o dia, e como esperado os números eram os tais. A cidade parecia um vulcão; se a gastança era grande, tornou-se ainda maior. Todo mundo pagou o que devia, comprou o que precisava e mais outras coisas, que nunca sentiriam falta; a cidade se modernizou com a dinheirama advinda da loteria; todo mundo estava rico, da noite para o dia.


Dona Rodriga saiu da delegacia e foi morar num povoado menor, onde escondeu a identidade.


Passados uns quatro anos, aos poucos; e depois, aos muitos, a gente toda localizou dona Rodriga e voltou a pedir seus conselhos. A pergunta geral era:


“Já que temos tudo, quando seremos felizes?”


Dona Rodriga disse que, para responder a tal pergunta, precisava catar umas ervas.


Entrou no mato e nunca mais voltou; e, desde esse dia, ficou conhecida como a charlatã.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vazio

Já tive inveja dos alpinistas e mergulhadores de caverna. O compromisso interno de se submeter às alturas ou às profundidades, sustentado somente por paixão, me deixava trôpega só de imaginar e não ter coragem.

“É poder tocar o vazio.” Diziam os alpinistas e mergulhadores.

“Podem traduzir?”

“Não dá pra explicar em palavras. Você tem que experimentar.”

“Isso não é pra mim.”

“Tem alguma coisa que você faria a qualquer custo.”

“Tem não. Tudo tem custo... e costuma ser caro.”

“Certamente existe alguma coisa que a leva às alturas ou às profundezas. Pode ser seu filho, seu trabalho, música... alguma coisa. Lembra?! É esse o sabor.”

Comecei a dançar tango, porque queria descobrir alguma coisa incrível como escalar o Everest ou mergulhar numa cavena à noite, sem medo e por pura vontade.

De fato, o tango abriu uma porta para uma outra dimensão; não é tocar o vazio; é poder tocar todo mundo por inteiro com a pureza de querer nada menos do que flutuar no salão; e como flutuamos. Estamos totalmente lá e nada mais existe. É uma espécie de meditação ambulante; é uma pausa nos pensamentos; o corpo cuida de tudo enquanto a mente dá uma trégua.

Apesar do contentamento, eu queria ter a experiência de tocar o vazio, sem ter que subir o Everest nem mergulhar numa cavena em horário noturno, ou rodar o salão a noite toda, de mão em mão. Haveria de haver outras formas. E há, e houve.

Foi nessa onda de sentir contentamento em existir que comecei a escrever. E quando escrevo encontro o que eu estive buscando a vida inteira nas minhas relações amorosas, nos meus cursos e nos meus empregos e nas minhas viagens. Quando algo me passa e meu humor me envergonha por qualquer motivo, eu me relembro: você escreve; você toca o vazio.