terça-feira, 28 de julho de 2015

Oportunidade de bolsas de estudo na Austrália

"A Business School da University of New South Wales, localizada em Sydney, na Austrália, está recebendo candidaturas para duas bolsas de MBA da instituição, exclusivas para profissionais e acadêmicos da América Latina.
A “AGSM Global Reach Scholarship” cobre todo o valor do curso para estudo em tempo integral. Serão selecionados os candidatos com excelência acadêmica e profissional comprovada.
Se a oportunidade for de interesse para pesquisadores e profissionais da sua instituição, ficaríamos agradecidos se puder encaminhar esta mensagem. Este email tem caráter informativo e a universidade não possui parcerias com a Embaixada do Brasil.
Mais informações podem ser obtidas no site https://www.business.unsw.edu.au/agsm/scholarships-prizes e pelo emailadmissions@agsm.edu.au​​​."

obs: Anúncio da Embaixada da Austrália no Brasil.

quinta-feira, 26 de março de 2015

10 hábitos que abandonei ao morar fora

1) chegar atrasada;

2) inventar desculpas, seja para o atraso ou qualquer outro assunto para o qual eu tenha assumido um compromisso;

3) interromper as pessoas numa conversa;

4) fazer rodeios, ou enfeitar uma mensagem, por não querer assumir determinado compromisso;

5) levar comentários ou discussões para o lado pessoal;

6) emitir uma opinião sobre um assunto, que eu não entenda;

7) achar que as pessoas têm que ser simpáticas;

8) pedalar bicicleta na contramão e achar que estou certa;

9) buzinar para as pessoas, que cometem erros no trânsito;

10) ignorar o sinal de trânsito amarelo e, às vezes, até o vermelho...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Elas por elas

Durante os primeiros dias seguintes à mudança para a casa nova, ele quase não reconheceu a esposa; não fosse a sua aparência física, ele diria tratar-se de outra mulher. 

A tal esposa comportava-se como se estivesse num labirinto cheio de fantasmas, perseguindo com palavras não só os vivos e os mortos, mas também os carros, a tecnologia e a falta que fazia numa casa grande e em obras. 

O marido desconfiou que a extensão da obra para a maioria dos cômodos da casa havia alterado bastante a rotina do casal. Em contra-ponto, ele se recordava que a própria esposa havia proposto a mudança para nova casa ainda em obra. Por isso, estava convencido de que a obra isoladamente não poderia ter causado essa desconfortável transformação na esposa.

Num momento de conversa íntima, ela admitiu, nas entre linhas, que não estava habitando em si completamente e suspeitava que o motivo era o fato de os seus personagens terem se perdido junto com “a verdadeira”, com os seus cadernos e livros, nas caixas da mudança ainda fechadas. Ela “de verdade” era a única que conseguia acordar de madrugada para escrever e afagar a comunidade mental. E enquanto “a autêntica” não se reunisse com todo o grupo, a bruxa continuaria solta.

Por sorte, o marido a conhecia bem e essas conversas de “múltiplas” não o assustavam nem ensejavam razão para visitas médicas. O marido confessava a si mesmo o fascínio que tinha pela diversidade da sua mulher. Foi num momento desses de solilóquio involuntário que ele se lembrou de um episódio de a macaca, sobre a qual a esposa estava escrevendo, ter se apoderado da personalidade dela, quando os seus cadernos foram levados, por engano, numa troca de malas, no aeroporto. Nos dois dias subsequentes até a chegada dos cadernos, ela, ou melhor, a macaca passava horas caminhando nas áreas verdes próximas disponíveis e comendo bananas. 

Ao perceber a semelhança entre os episódios, naquele dia mesmo, ele decidiu convidá-la para fazer um lanche e conversar sobre como resolver a situação. O convite de saírem para comer foi aceito, mas não o de discutir o assunto, que só os deuses poderiam resolver, num passe de mágica, segundo a mulher.

Antes de saírem de casa, ele observou que ela trazia uma vassoura consigo, e, não houve nada que a demovesse da ideia de transportá-la até o recinto. Ele julgou melhor não discutir, pois ninguém seria impedido de entrar num estabelecimento por conta disso.

Na padaria, enquanto o esposo comprava os pães, a suposta esposa olhava as paredes, sentada a uma mesa do outro lado do ambiente, esperando que o marido voltasse com a merenda. No caminho até a mesa, ele percebeu que a mulher forjava um riso. Não era o seu sorriso natural; era tão forçado, que para fazê-lo, ela puxava com os próprios dedos indicadores os extremos da boca, em direção às orelhas. 

O marido caminhou até a mesa com naturalidade, pois antes um sorriso falso a um verdadeiro mau humor, e, ao chegar à mesa, sentou-se tranquilo. 

De ímpeto e repetidamente, ela elogiava a beleza do mundo, a tecnologia e a ausência dela, e, ao próprio marido verbalizava o pedido de perdão por ter estado fora do eixo. O entusiasmo era tanto, que ele não se conteve mais e comentou:

“Que bom que está melhor. Você tinha dito que o motivo da angustia era a falta dos cadernos e do exercício da escrita na alvorada. Você não achou os cadernos ainda nem voltou a escrever. Posso saber o que houve?”

“Acabei de receber um recado do cosmo.”

“É mesmo?”, perguntou ele sem se surpreender, àquela altura, com uma resposta de cunho esotérico. “E você poderia compartilhar?”, perguntou-lhe.

“Veja com os seus próprios olhos.” Disse a sua cúmplice, apontando com a vassoura a parede da padaria, na qual exibia a seguinte mensagem: “Aja como se o que você cria fizesse uma diferença, porque faz.”

A mulher voltou a escrever na madrugada e, desde então, eu não mais retornei para atormentá-la. 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A gata triste


Na rua, enquanto caminha, Saturnino chama atenção pela sua aparência física. Cabelos castanhos, rosto comprido, nariz aquilino, estrutura corporal forte e larga. Ele não gosta de falar sobre si mesmo, e, ao ser perguntado sobre qualquer assunto, responde a primeira coisa que lhe venha à cabeça. Parece não se ouvir. Em dias difíceis, ele não teme denunciar o culpado. 

Sexta-feira, ao adentrar à casa do seu irmão, Saturnino exibia um semblante enfadonho e trazia consigo uma caixa contendo uma gatinha. Naturalmente aquele semblante ensejou a pergunta sobre o que havia acontecido, e, Saturnino não titubeou em responder bruscamente que o seu desejo era ter enviado a gata ao veterinário para eutanásia, e,  em seguida, jogá-la num valão qualquer; ele não disse uma palavra sobre o que havia transformado a ternura que tinha pelo animal em aversão, embora tenha garantido que, depois de cinco anos, a gata havia traído a sua confiança, e que não a queria mais. 

Deixou a gatinha na casa do irmão e saiu sem saudá-los carinhosamente. O irmão não se surpreendeu, segurou a gatinha, e, olhando-a nos olhos, segredou: “não se preocupe, segunda-feira ele volta pra te buscar.”

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Bêerreó-bró

É a denominação, no dialeto piauiense, para os meses mais quentes: setembró, outubró, novembró e dezembró.

Durante esses meses, os transeuntes andam frequentemente acompanhados por uma sombrinha. 

Quando os locais deixam, acidentalmente, tal artefato em casa, a disputa por um lugar à  sombra chega a ser hilariante.

Ao entrar no ônibus, o passageiro busca o lado não castigado pelo sol. Ao longo da jornada, isso varia e se houver oportunidade, o usuário não hesita em brincar de dança das cadeiras.

Na espera para atravessar a rua, a sombra do poste também passa a ser concorrida e tem sempre um pedestre à espreita daquele, que deixe o posto.

O Bêerreó-bró é quase inimaginável a quem não o vivenciou. Quem lá viveu, garante que, no Bró, frita-se milho de pipoca com areia quente.